A 15ª edição do Troféu Walter Schmidt homenageou, ontem durante o tradicional Jantar da Hospitalar 2016, a Doutora Adriana Melo. A médica da Paraíba alertou as autoridades brasileiras, despertando o mundo, no final de 2015, acerca da relação entre o vírus Zika e os casos de microcefalia no Brasil. Doutora em Tocoginecologia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP-SP), presta assistência há 16 anos aos pacientes do SUS no setor de medicina fetal da principal maternidade pública de Campina Grande (PB), o Isea - Instituto de Saúde Elpídio de Almeida.

As suspeitas de Adriana Melo iniciaram, quando o Zika ainda era visto como um tipo mais suave de dengue. No entanto, após examinar duas gestantes que esperavam bebês diagnosticados com microcefalia, percebeu que se tratava de um novo padrão da anomalia neurológica, dando o primeiro passo para o reconhecimento da relação entre o vírus e a doença que já afeta quase quatro mil fetos em todo Brasil.

Assim como ocorreu com o sanitarista Oswaldo Cruz no início do século XX, quando propôs eliminar focos de insetos transmissores de doenças tropicais para combater a febre amarela e varíola, Adriana Melo também enfrentou inicialmente semelhantes dúvidas e resistências burocráticas. Porém, após exames feitos com as pacientes, por iniciativa da doutora, o material colhido foi encaminhado à Fiocruz para o laudo decisivo que levou o Ministério da Saúde a decretar emergência sanitária, apenas três meses após o aparecimento das primeiras suspeitas.

O diretor executivo da Fanem, Djalma Luiz Rodrigues, ressaltou a importância do empenho de Adriana Melo para a medicina brasileira e saúde pública. “Para a Fanem que tem como missão salvar vidas é um orgulho reconhecer o trabalho de uma médica como Adriana Melo, que dedica 20 horas por semana atendendo pacientes do SUS e, que sem recursos para pesquisa, fez um alerta de suma importância para todo o mundo”.

Adriana Melo é graduada em Medicina pela Universidade Federal de Campina Grande (PB), possui mestrado em Saúde Coletiva pela Universidade Estadual da Paraíba, doutorado em Saúde Materno Infantil pelo Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP- PE) e também em Tocoginecologia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP-SP), além de pós-doutorado em Saúde da Mulher pelo Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP - PE).

O Troféu recebe o nome do empresário Walter Schmidt, pioneiro da neonatologia que criou e dirigiu por mais de 50 anos a Fanem, hoje a indústria brasileira de equipamentos para a saúde com maior expressão no mercado neonatal. Desde o início, Schmidt conduziu a Fanem com elevado grau de pioneirismo, inovação e empreendedorismo, desenvolvendo produtos avançados para a área de neonatologia que contribuíram para o impulso do mercado hospitalar brasileiro e para salvar milhões de vidas.

Desde 2002 o prêmio Walter Schmidt já foi entregue a nomes com atuação destacada na área da saúde do Brasil, entre eles Mayana Zatz, Uenis Tannuri, Gonzalo Vecina Neto, Waleska Santos, Saíde Jorge Kalil, Juan Quirós, e Benjamin Israel Kolpeman, Alessandro Teixeira, José Alberto Ferreira Filho, Evanisa Maria Arone e Conceição Aparecida de Mattos Segre.